The Velvet Underground: A música da Pop Art

Chamamos de underground todo e qualquer tipo de manifestação artístico-cultural que não siga as tendências estabelecidas em sua época. Pode-se dizer que a palavra underground tomou sentido a partir do lançamento do disco "The Velvet Underground and Nico" de 1967.

A banda The Velvet Underground passou longe da pretensão de rock stars, não veneravam a cultura massificada contemporânea, em uma época que o rock tentava ser a voz de uma geração. Suas letras eram realistas, totalmente diferente do que existia na música dos anos 60, na onda hippie das drogas alucinógenas, viagens psicodélicas e pregação de paz e amor. O Velvet Underground (nome este que foi tirado de uma revista pornô sadomasoquista) transgrediu regras antes mesmo delas serem criadas.

Tudo começou quando Lou Reed (guitarrista, vocalista e compositor influenciado por romancistas como William Burroughs, Hubert Selby Jr. e Raymond Chandler) conheceu John Calle (baixista, pianista e violinista de formação erudita e altamente influenciado por sons experimentais). Os dois começaram a tocar na rua, logo Sterlig Morrison entrou como guitarrista e mais tarde Maureen Tucker juntou-se ao grupo como baterista. 

Em uma de suas apresentações, quando se encontrava no estabelecimento o patrono da Pop Art, o artista plástico Andy Warhol, o grupo foi expulso e despedido pelo empresário porque tocaram "Black Angel's Death Song". Esta canção era estranha para a época, influenciada pelo virtuosismo estranho de Calle, sendo usado pela primeira vez uma viola elétrica por uma banda de rock.

No meio da apresentação o empresário subiu no palco e ordenou que eles nunca mais tocassem aquela música. Em resposta, a banda repetiu a canção. Andy Warhol gostou do que viu e ouviu e ofereceu ao Velvet uma parceria com seu grupo artístico, o The Factory, no qual, ao lado de diversos artistas marginais, ele produzia filmes, peças de teatro, exposições e música.

Warhol propunha demonstrar a crise da arte que assolava o século 20 e demonstrava em suas obras a massificação da cultura popular capitalista. Seu estúdio em Nova York era freqüentado por pessoas ricas e também por artistas marginais. Warhol ficou encantado com a forma que Lou Reed narrava a ingenuidade e sinceridade das pessoas sofredoras, a crueldade da vida nas ruas, o desemprego, a vida das prostitutas, dos viciados, travestis, traficantes, sadomasoquistas e todo tipo de gente que vivia na obscuridade.

Warhol incluiu no grupo a modelo e atriz Nico. Juntos lançaram o disco "The Velvet Underground and Nico", que não teve uma repercussão muito boa. O público não entendeu a musicalidade incomum da banda, o conteúdo lírico e a estranha capa no estilo Pop Art feita por Warhol, com o desenho de uma banana.

 Porém, hoje, este disco é referência a toda banda que se dedica ao experimentalismo e a todos que se interessam pelo movimento da Pop Art, sendo esta uma das bandas mais influentes do século 20.
 Junior Bubys

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