The Stooges: rock simples e original
Era final dos anos 60 quando o baterista James Jewel Osterburg cansou-se de sua vidinha metódica no interior dos EUA. Buscando satisfação mudou-se para Detroit e passou a se chamar Iggy Pop. Abandonou as baquetas e junto dos seus amigos junkies de escola (os irmãos Ron e Scott Asheton e Dave Alexander) formou a banda The Stooges, "Os Patetas".
Nenhum deles era músico, mas carregavam consigo a ira adolescente e a vontade de fazer um som puro e simples (E precisa mais que isso no rock?). Eram diferentes do psicodélismo de sua época, do som progressivo, do uso de drogas lisérgicas e papos que defendiam a "ideologia" flower power.
As músicas do The Stooges eram vicerais, falavam do submundo das ruas americanas, era a filosofia junkie: beber muito, cair na sarjeta e dizer que a vida era um grande fracasso.
Suas apresentações eram estranhas para a época e Iggy Pop era uma grande novidade, um cantor um pouco fanhoso e desafinado que se contorcia e se machucava, deixando o palco coberto de sangue.
Danny Fields da gravadora Elektra, foi assistir a um show deles por indicação do grupo MC-5 (grupo lendário da cena underground dos anos 60) e não acreditou no que viu. Contratou os Stooges, que logo entram no estúdio com um importante colaborador, John Calle do Velvet Underground, que fez o que devia ser feito: deixou a banda quebrar tudo. Ron Asheton tirava das cordas de sua guitarra um som absolutamente brutal e animalesco, o baixo de Dave Alexander e a bateria de Scott Asheton eram destruidoras e nos vocais um dos maiores performers da época.
O primeiro álbum, de 1969, foi batizado de "The Stooges" apenas e marcou o começo do fim dos hippies utópicos. Com eles a música encontra sua redenção na simplicidade de quem não curtia ficar caminhando entre flores, de quem detesta a paz da vida no campo. Era o som urbano, dos subúrbios, era o rock puro e febril.
Muitos os chamam de pré-punk, mas podemos defini-los como punk rock já que se encontra aí o que tornaria, anos mais tarde, a verdadeira atitude punk. Músicas de três acordes, radicalismos, distorções e riffs que entraram para a história como "I wanna be your dog", "No Fun" e "1969". Estas músicas ganharam versões de grupos como Ramones, Sex Pistols, entre outros.
A banda ainda hoje faz inúmeros seguidores como o Sonic Youth que virá ao Brasil este ano no festival "Claro que é Rock" ao lado do próprio Iggy Pop e os Stooges em sua formação original (show este, aguardadíssimo pelos fãs).
The Stooges é discografia básica para qualquer um que curta o rock feito com convicção, espontaneidade e objetividade em sua forma simples. Graças a eles e a esse disco, sentimos algo realmente forte e substancial no rock, é o implacável rock entrando direto nas nossas veias, é de onde o rock jamais deveria ter saído: do subterrâneo...
Junior Bubys

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