Patti Smith: Rock e Poesia

Patti Smith nasceu em Chicago no ano de 1947, mas foi em Nova York que deu seus primeiros passos para o mundo das artes, trabalhando em vários projetos do meio como crítica musical e autoria de peças de teatro.
Por volta de 1971 ao declamar suas poesias em uma igreja acompanhada pelo violão de Lanny Kaye começou a despertar a atenção de artistas e conseguiu a publicação de dois livros de poesia (Seventh Heaven e Witt). Para melhor divulgar sua poesia formou uma banda com a qual fazia apresentações em bares da Big Apple.
Suas apresentações ao vivo eram poéticas e indisciplinadas, suas performances frenéticas no palco atraiam cada vez mais público a seus shows, mas não agradavam a crítica especializada. Mas para que serve essa tal "crítica especializada" se não para criticar, não é mesmo? Na maioria das vezes a "crítica" está ali somente para alimentar a indústria que pouco importa com movimentos e trabalhos artísticos que não lhes rendem como seus produtos simples, bobos, e de fácil compreensão para mentes menos discernidas, ou seja: massificados.

Seu primeiro disco intitulado Horses de 1974, foi produzido por John Cale que era baixista, pianista e violonista do Velvet Underground, banda de som cru e letras arrasadoras do vocalista Lou Reed. A semelhança estética entre Lou Reed e Patti, ambos músicos e poetas, cruza suas caminhadas, mostrando, em ambos, a influencia do poeta oitocentista francês Rimbaud no Punk Rock e provando que rock não é apenas música de adolescentes rebeldes. Contrariando aqueles que acham que apenas música clássica tem erudição.
Patti Smith com sua música, poesia, "loucura" e espontaneidade, tinha a química perfeita que o público do momento buscava. Transou androginia e todo tipo de transgressão às normas de conduta, colocando poesia na louca Nova York dos anos 70. Patti gritou que fora da sociedade era onde ela queria ficar (Rock-N-Roll Nigger) e que Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não os dela (Gloria). Vestiu-se de homem na capa de seu álbum de lançamento e aparece seminua na capa de seu terceiro álbum.
As pessoas procuravam letras densas, existencialistas e todo tipo de transgressão e por isso Patti fez enorme sucesso, tornando-se com o "Patti Smith Groupe", sua banda, uma importante influência até hoje.

Alguns caracterizam-na como uma sacerdotisa punk do teatro místico, outros a vêem como um xamã, uma espécie de mutação feminina de Jim Morrison e Bob Dylan, cantores e poetas também. Mas como ela mesma define seu som: "é não mais que rock de três cordas fundido ao poder das palavras".
Junior Bubys

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