Não à massificação da arte *
“Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo”
Fernando Pessoa.
Os versos acima servem bem para explicar o que é arte. Os artistas conseguem reunir duas ações que parecem separadas, o ETERNO (que está fora do tempo, imutável) e o NOVO (que está no tempo e sempre em mudança). A união do eterno e do novo exprime a arte como criação, desvenda o sentido eterno do mundo por meio de obras sempre novas. As obras de arte nos abrem acesso ao verdadeiro, ao sublime, ao terrível, ao belo, à dor e ao prazer. A arte inventa um mundo de cores, formas, volumes, palavras, para fazer conhecer nosso próprio mundo através do artista, e ao fazê-lo, leva-nos descobrir o sentido da Cultura e da História.
Desta forma, as obras de arte e pensamento deveriam ser direito de todos e não privilégio de alguns, todos deveriam ter acesso à fruição das obras culturais, direito à informação e à formação cultural, pois assim poderíamos conhecê-las, criticá-las e incorporá-las em nossas vidas e os artistas e pensadores poderiam superá-las com novas idéias.
Porém, a exemplo de tudo o que há no capitalismo, a obra de arte é tratada como mercadoria e valorizada segundo critérios que estão na moda. A arte na se democratizou, ela se massificou para o consumo rápido do mercado e dos meios de comunicação, transformando-se em propaganda. Arte hoje é muitas vezes vista como forma de controle ideológico.
A “indústria cultural” torna invisível a realidade e o próprio trabalho do criador das obras; é algo para ser consumido e não para ser fruído e superado por novas obras. Além disso, cria-se a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais como um consumidor de supermercado, mas não é bem assim, pelo preço da “mercadoria cultural” podemos perceber que as empresas de divulgação selecionam previamente o que cada grupo social deve consumir, provocando a divisão social entre elite “culta” (que consome obras “raras”) e massa “inculta” (que consome obras comuns”).
E o que é massa? É um agregado sem forma, sem rosto, sem identidade e direito pleno ás manifestações culturais.
Junior Bubys

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